Eu não sei se alguém um dia vai querer ler isto. Mas preciso escrever, porque minhas mãos sabem trabalhar madeira melhor do que sabem dizer o que sinto.
Sou carpinteiro. Aprendi com meu pai, que aprendeu com o dele. É um trabalho de paciência — você não força a madeira, você escuta ela. Cada veio, cada nó, te diz por onde cortar. Demorei anos para entender isso. Talvez a vida funcione parecido.
Hoje, enquanto lixava uma mesa que prometi entregar até o fim do mês, fiquei pensando no meu futuro. Não é segredo: estou apaixonado por Maria. Pedi sua mão, ela aceitou, e nossas famílias já conversam sobre a cerimônia.
Eu tinha tudo planejado — pelo menos do jeito que um jovem de vinte e poucos anos imagina que planeja a vida. Uma casa pequena perto da oficina. Uma horta que Maria queria cuidar. Filhos, se Deus permitisse, crescendo entre serragem e cantos de Salmos.
Não era um sonho grandioso. Era só... um sonho bom. Trabalho honesto, uma esposa que eu amava, um lar simples sob a Lei do Senhor.
Eu rezava por isso todos os dias. Pedia força pra ser um bom marido, um bom provedor. Eu não sabia — não tinha como saber — que Deus tinha outros planos para os meus planos.
Maria de Nazaré
"Ela é diferente de qualquer pessoa que conheço. Quieta, mas não vazia. Quando ela fala, parece que escolhe cada palavra com o cuidado de quem reza."
As pessoas da vila já comentam do nosso casamento. Minha mãe já fala em enxoval. E eu, no fim de cada dia de trabalho, olho pras minhas mãos cheias de calos e penso: são essas mãos que vão sustentar uma família.
Não sei se Deus tinha algo maior reservado para elas. Eu só sabia construir mesas, portas, berços. Eu não imaginava que um dia elas precisariam construir confiança onde a razão não alcançava.
"José, seu marido, como era justo e não queria infamá-la, resolveu deixá-la secretamente."Mateus 1:19 (sobre o que ainda estava por vir)
💭 Para refletir hoje
- Você já teve planos bons e simples que precisaram ser entregues a Deus?
- José era um homem comum antes de ser chamado a algo extraordinário. O que isso te ensina sobre o seu próprio chamado?
- Quais "ferramentas" — talentos, ofícios, dons — Deus já colocou nas suas mãos?